Em entrevista à Rolling Stone, RM fala profundamente sobre como descobriu a identidade da banda, a música que ama e como “luta contra seus demônios”.

E: Você é uma contradição ambulante porque seus gostos são alternativos, e ainda assim você é o líder da maior banda do mundo, fazendo ótima música pop para as massas.
Acho que essa contradição é a minha crise, mas ao mesmo tempo… esses dois lados estão dentro de mim. Eu ouço música pop. Eu adoro… Estou sempre de olho nas paradas musicais. Às vezes, quando não quero pensar muito, simplesmente encontro o Top 50 Global e ouço. Mas às vezes sinto: “Cara, isso não é suficiente. Preciso ir mais fundo.”
E: É muito interessante ouvir seus álbuns solo — parece o tipo de música que você poderia ter feito se o BTS nunca tivesse existido. É interessante para mim que você tenha conseguido chegar a esse ponto mentalmente como artista.
Quando todo mundo diz sim, eu realmente quero dizer não. Quando eu estava no BTS, eu amava, mas também odiava algumas coisas, claro. E eu simplesmente não conseguia negar todos esses sentimentos. Mas acho que eu sabia o que mostrar para as pessoas ou o que esconder e transformar em um álbum. Quando voltei como artista solo, eu pensava: “Cara, eu preciso fazer isso. Eu preciso dizer isso, porque se são sete [membros], eu tenho que fazer a minha parte.” Às vezes eu tenho que ser legal porque muitas crianças estão nos assistindo, mas eu comecei na música nas ruas, fazendo rap. E eu simplesmente não consigo resistir a isso. Às vezes eu sinto que só quero fazer isso… Então, quando se trata de projetos solo… eu consigo me expressar sem pensar em questões financeiras.
Eu poderia fazer uma música com a Little Simz, o Moses Sumney. Eles são artistas incríveis… Eu realmente tentei, tipo, quebrar barreiras. Raspei todo o cabelo. E tentei não usar maquiagem. E todos esses sons e artistas alternativos. Foi um desafio muito bom e eu aprendi muito, e isso me ajudou bastante quando voltei para as sessões em Los Angeles no ano passado para este álbum.
E: Em 2022, você disse a Pharrell Williams que ainda amava música, mas que talvez amasse mais as artes visuais. Você mudou de ideia? Como foi essa jornada para você?
Acho que a música sempre estará presente. É a base de tudo, e às vezes você simplesmente não consegue resistir quando toca uma música que você ama e você não consegue evitar dançar ou balançar a cabeça no ritmo. E acho que as artes visuais, às vezes, exigem mais conhecimento, treinamento e um nível intelectual maior. No exército, eu ouvia muitos álbuns. Acho que estou mais apaixonado por música agora, talvez… O álbum do Dijon foi ótimo. No Spotify Wrapped, eu conferi — acho que ouvi o álbum do Dijon por mais de 500 minutos.
E: Você deixou claro que os singles que o BTS lançou em 2020 e 2021 te deixaram confuso sobre qual era a identidade do grupo.
Acho que ainda não sei. Acho que um músico deve se comunicar através da sua música… Acho que ainda estou muito confuso porque pensei que, durante o serviço militar, talvez se tudo acabasse e todos voltássemos… então talvez houvesse algum tipo de consenso muito preciso e nítido com o qual todos pudéssemos nos identificar, mas isso não era bem verdade. Então acho que essas 14 faixas podem ser o tipo de resposta para as pessoas que se perguntam: “O que é o BTS em 2026?”. Mas acho que, para este álbum, tento expressar coisas mais universais — como amor, mágoa, nostalgia. Acho que ainda estou nessa de expandir experiências pessoais em emoções e sentimentos universais.
E: Você já pensou em escrever um livro?
Eu realmente pensei. Mas, conforme leio mais e mais livros, acho que não consigo, porque existem muitos textos e escritores incríveis no mundo. Me sinto muito tímido quando tento simplesmente escrever algo. Então, escrevo diários. Às vezes, escrevo ensaios bobos. Talvez daqui a alguns anos, se eu mudar de ideia, possa juntá-los e corrigir o que já foi dito. Mas acho que escrever um livro me assusta mais do que gravar um álbum.
E: Que tipo de coisas você faz para se desligar dos seus pensamentos?
Acho que caminhar é ótimo porque, quando você caminha e observa a paisagem, seu corpo está em movimento. Então você simplesmente deixa ele se mover. Isso me ajuda a me acalmar, e talvez eu consiga deixar o estresse e todos esses pensamentos irem embora e observar o céu. Mas Instagram, YouTube, Netflix — eles tomam meu tempo.
E: O serviço militar não foi fácil para você. Você ainda está se recuperando psicologicamente? Como está sendo?
Acho que consegui sair bastante daquela situação, se é que podemos chamar de caverna… Já se passaram oito meses e acho que estou bem agora, mas às vezes, quando tento dormir e — quando a ideia surge, [eu digo para mim mesmo]: “Ah, cara, esquece. Acabou. Não estou mais no exército.” Mas essa experiência de chegar ao fundo do poço, psicologicamente, na verdade, acho que me ajudou. Agora, estou dormindo na minha cama. Estou bem. Acho que essa é a grande terapia pessoal.
E: Essa experiência mudou o que você quer da vida como pessoa?
Eu sempre quero viver o presente. O agora. É que tem tanta coisa em 2026 que está nos distraindo de viver o agora. A gente pensa, quando assiste aos Reels e a todos esses Shorts, que estamos vivendo o presente, mas eles continuam me distraindo. Então, eu sinto muita falta dos tempos em que eu simplesmente caminhava na chuva e refletia sobre tudo.
Acho que foram nesses momentos que realmente vivi o presente. Não quero pensar no passado nem no futuro porque são pura fantasia, mas é muito difícil me concentrar apenas no agora… Sempre me esforço para, às vezes, largar o celular e ler um livro. Tento não pensar no passado nem no futuro, porque o futuro nunca chega.
E: Você estava nesse lugar sombrio psicologicamente e conseguiu sair dele. Não foi para sempre. O que você diria para um fã que se sente assim agora?
Eu saí dessa crise que tive no ano passado por causa de todos aqueles ambientes em que estive. Saí dela fisicamente, mas mentalmente, e admito agora, existe essa tristeza essencial. Não sei como chamá-la, mas ela está sempre presente em alguma parte do meu coração. Acho que ainda estou no processo de me descobrir. Talvez eu seja sensível demais, [mais] do que os outros… Ou talvez eu pense demais.
Às vezes não consigo dormir. Mas você quer morrer? Não. Tento amar a vida. Caminhar, bons amigos, bebidas, música, esta entrevista. Ainda estou lutando contra meus demônios, e acho que talvez isso possa durar para sempre, e para sempre é muito tempo, como eu disse. Mas só quero dizer uma coisa: resumindo, acho que a vida é divertida… não porque estou no BTS ou sou uma estrela sob os holofotes. Acho que, simplesmente, a vida é divertida e viver é melhor.
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